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DECLARAÇÃO DOS POVOS DAS FLORESTAS 2007

28 28UTC setembro, 2007

 

Nós, os povos indígenas e populações tradicionais, retomamos a Aliança dos Povos das Florestas e a luta para permanecer em nossas regiões preservadas e em conservação da Amazônia, incluindo outros biomas (Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica, Pampas, e demais regiões do país).

 

Neste encontro, reafirmamos o papel estratégico que desempenhamos na proteção das florestas, dos recursos naturais e da biodiversidade a partir de nossos sistemas de vida que são base de nossas culturas e tradições.

 

Durante estes dias, refletimos sobre o modelo de desenvolvimento e civilizatório em curso no nosso país, caracterizado por grandes obras de infra-estrutura, e consideramos que ele ainda é predatório e ameaçador ao nosso patrimônio natural e cultural.

 

O que exige atitudes urgentes para criação de metas e estratégias em busca de soluções para as questões climáticas, em especial no que tange aos grandes projetos, maximizando os impactos positivos e minimizando os impactos negativos.

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Desejamos que o conteúdo do II Encontro Nacional dos Povos das Florestas seja considerado uma referência para a construção de políticas públicas daqui em diante, começando pelo agendamento de uma audiência com o Presidente da República e todos os seus ministros.

 

Face a essa realidade, convergimos na necessidade de pensarmos com outros setores da sociedade em um modelo alternativo de desenvolvimento ambientalmente sustentável e socialmente justo no qual se estabeleçam com clareza os seguintes princípios:

 

 1)    Que os povos indígenas e comunidades tradicionais sejam remunerados dignamente pelos serviços ambientais prestados ao Brasil e ao mundo por nossas regiões preservadas, diante um cenário de mudanças climáticas.


2)    Que a biodiversidade e os produtos das florestas, rios, campos e manguezais sejam valorizados e apoiados em suas potencialidades.


3)    Que sejam garantidas as condições de gestão e sustentabilidade das terras indígenas, reservas extrativistas e demais terras comunitárias.


4)    Que sejam implantadas a educação ambiental no ensino formal, médio e superior e que sejam implementadas as políticas públicas de educação, saúde, justiça, assistência técnica e direito ao uso sustentável da terra, de forma adequada às nossas especificidades.

 

Reafirmamos nossa vontade comum de fortalecermos esta aliança, respeitando as diferenças de nossa diversidade cultural e social, em torno de objetivos comuns para o futuro de todo o planeta.

 

 

Brasília-DF, 21 de setembro de 2007

Entrevista: A Vez dos Povos da Floresta

6 06UTC setembro, 2007

Levar informações sobre saúde às mulheres moradoras das Reservas Extrativistas (Resex’s) do Pará, visando a inclusão social. Este é o principal objetivo do projeto A Bagagem das Mulheres da Floresta – Trabalhando a Informação nas Reservas Extrativistas da Amazônia, promovido pela organização não-governamental Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS).Este ano, a ONG ganhou um reforço a mais: ela está entre os dez projetos apoiados pelo programa Novos Brasis, do Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi. O Novos Brasis, caracterizado por apoiar o desenvolvimento de iniciativas sociais que utilizam tecnologias da informação e comunicação a favor da sociedade, destina R$ 1,8 milhão para os projetos aprovados em 2007.

Segundo a assessora técnica do CNS e coordenadora de A Bagagem das Mulheres da Floresta, Fátima Cristina da Silva, o CNS desenvolve uma metodologia de trabalho descentralizada e participativa, baseada em princípios coletivos. “Ao trabalharmos a divulgação da saúde preventiva nas comunidades das resex’s, iremos estimular sempre a participação do coletivo, buscando o bem-estar de todos”, explica Fátima Cristina. No Pará, 166 comunidades que integram 19 áreas extrativistas são assistidas pelo projeto.

Portal ORM: Como surgiu a idéia de trabalhar o projeto ‘A Bagagem das Mulheres da Floresta – Trabalhando a Informação nas Reservas Extrativistas da Amazônia’?

Fátima Cristina: O CNS, desde seu surgimento, reconheceu a “mulher da floresta” como força integrante no processo de luta organizacional do extrativismo. Daí a necessidade de integrar a diversidade dos saberes e os modos de vida na floresta, a relação das mulheres e o ambiente florestal, transformando, recriando e conservando o bioma para as futuras gerações.

Neste processo, discute-se o relacionamento familiar do dia-a-dia, sempre alertando para as doenças sexualmente transmissíveis, o reconhecimento do seu próprio corpo, o auto-exame, o planejamento familiar, além da superação da timidez por ocasião de consultas com profissionais de saúde.

Portal ORM: Quais os objetivos principais do CNS ao desenvolver A Bagagem das Mulheres da Floresta?

Fátima Cristina: Como o próprio nome do projeto diz, nossa prioridade são as mulheres e a vida que elas levam nas reservas extrativistas. Iremos trabalhar a saúde preventiva e estimular a participação no controle social, criar mecanismos que possibilitem aproximar o Sistema Único de Saúde (SUS) dos seus verdadeiros usuários. Queremos garantir o direito humano à comunicação a fim de consolidarmos a cidadania do povo da floresta.

Portal ORM: Como é o trabalho realizado com essas mulheres?

Fátima Cristina: No Pará, trabalhamos com 166 comunidades, que estão dentro de 19 reservas extrativistas, sendo que nove são reservas marinhas e dez são reservas florestais. Atualmente, contamos com 25 lideranças responsáveis por coordenar nossas ações nas comunidades. Nossa metodologia é descentralizada e participativa. Temos sempre o cuidado de planejar, avaliar e executar dentro de uma sistemática com base em princípios coletivos. Nosso foco é a comunidade em si; não trabalhamos com setores isolados.

Portal ORM: Este projeto é desenvolvido em outros estados da região amazônica, além do Pará?

Fátima Cristina: Com o apoio do Oi Futuro, estamos desenvolvendo A Bagagem das Mulheres da Floresta no Pará como um projeto piloto, com expectativas de levarmos, posteriormente, para os estados do Amapá, Amazonas e Maranhão.

Portal ORM: De que forma o celular irá auxiliar no seu desenvolvimento?

Fátima Cristina: Será instalada na região uma central telefônica e teremos a nossa disposição 40 aparelhos celulares. Desta forma, iremos facilitar o acesso à comunicação dos moradores das resex’s, dinamizando contatos entre os povos da floresta no processo de mobilização das informações no que tange aos interesses das mulheres da floresta.

Portal ORM: Qual a meta do CNS para o projeto até o final de ano?

Fátima Cristina: Nossa intenção é de que, até o final do ano, 90% das lideranças capacitadas para se tornarem multiplicadoras no repasse de informações sobre prevenção estejam aptas a encarar os desafios quanto ao papel de multiplicadoras junto às comunidades extrativistas de todo o estado do Pará, com grandes perspectivas de abrangência na Amazônia. Elas devem identificar com maior clareza suas necessidades de aprimoramento enquanto multiplicadoras, visando a sustentabilidade da iniciativa por meio de sua continuidade, com interação e integração concreta com o governo local.

Portal ORM: O que vocês acham de programas como o Novos Brasis que incentiva esse tipo de ação?

Fátima Cristina: Programas como o Novos Brasis são os meios pelos quais buscamos os nossos fins: a plenitude da cidadania. Podemos contar com esta parceria de solidariedade que inaugura uma nova proposta de reconhecimento: a de que na floresta há vidas inteligentes se desenvolvendo com a natureza. Este povo tem direitos e, para tanto, luta veementemente e merece ser ouvido.

Fonte: TV Liberal

Reservas extrativistas recebem informações sobre saúde

4 04UTC setembro, 2007

A idéia de levar informações sobre saúde a mulheres de reservas extrativistas da Amazônia, localizadas no estado do Pará, receberá, neste ano, patrocínio do instituto Oi Futuro que, depois de um mês de análises realizadas por uma comissão de especialistas, divulgou uma lista com dez organizações não-governamentais de todo o Brasil contempladas pela edição 2007 do programa Novos Brasis. Neste ano, por meio do programa, que apóia iniciativas inovadoras de transformação social por meio da tecnologia, o Oi Futuro irá destinar R$ 1,8 milhão aos projetos aprovados.

No Pará, o projeto beneficiado será ‘A Bagagem das Mulheres da Floresta: Trabalhando a Informação nas Reservas Extrativistas da Amazônia’, do Conselho Nacional dos Seringueiros. Com o objetivo de dinamizar informações sobre saúde entre as mulheres das reservas extrativistas, será instalada uma central com mais de 40 celulares na região, além de oficinas sobre comunicação, controle social e o SUS (Sistema Único de Saúde).

O edital foi aberto a organizações do Terceiro Setor e a outras instituições sem fins lucrativos. Após a seleção, o Oi Futuro acompanha a implantação de cada iniciativa, por meio do auxílio na gestão e na avaliação do impacto das atividades. Por apostar no desenvolvimento de soluções sociais, o Novos Brasis dispõe, ainda, de uma rede virtual de relacionamento, que promove a troca de experiência entre os parceiros. ‘Além disto, também realizamos um encontro anual onde os integrantes de todas as organizações se conhecem pessoalmente e iniciam conversas para parcerias concretas’, lembra a diretora.

Além do Pará, mais sete estados foram beneficiados: Amazonas, Roraima, Alagoas, Ceará, Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Fonte: Tvliberal.com.br