Entrevista: A Vez dos Povos da Floresta

Levar informações sobre saúde às mulheres moradoras das Reservas Extrativistas (Resex’s) do Pará, visando a inclusão social. Este é o principal objetivo do projeto A Bagagem das Mulheres da Floresta – Trabalhando a Informação nas Reservas Extrativistas da Amazônia, promovido pela organização não-governamental Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS).Este ano, a ONG ganhou um reforço a mais: ela está entre os dez projetos apoiados pelo programa Novos Brasis, do Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi. O Novos Brasis, caracterizado por apoiar o desenvolvimento de iniciativas sociais que utilizam tecnologias da informação e comunicação a favor da sociedade, destina R$ 1,8 milhão para os projetos aprovados em 2007.

Segundo a assessora técnica do CNS e coordenadora de A Bagagem das Mulheres da Floresta, Fátima Cristina da Silva, o CNS desenvolve uma metodologia de trabalho descentralizada e participativa, baseada em princípios coletivos. “Ao trabalharmos a divulgação da saúde preventiva nas comunidades das resex’s, iremos estimular sempre a participação do coletivo, buscando o bem-estar de todos”, explica Fátima Cristina. No Pará, 166 comunidades que integram 19 áreas extrativistas são assistidas pelo projeto.

Portal ORM: Como surgiu a idéia de trabalhar o projeto ‘A Bagagem das Mulheres da Floresta – Trabalhando a Informação nas Reservas Extrativistas da Amazônia’?

Fátima Cristina: O CNS, desde seu surgimento, reconheceu a “mulher da floresta” como força integrante no processo de luta organizacional do extrativismo. Daí a necessidade de integrar a diversidade dos saberes e os modos de vida na floresta, a relação das mulheres e o ambiente florestal, transformando, recriando e conservando o bioma para as futuras gerações.

Neste processo, discute-se o relacionamento familiar do dia-a-dia, sempre alertando para as doenças sexualmente transmissíveis, o reconhecimento do seu próprio corpo, o auto-exame, o planejamento familiar, além da superação da timidez por ocasião de consultas com profissionais de saúde.

Portal ORM: Quais os objetivos principais do CNS ao desenvolver A Bagagem das Mulheres da Floresta?

Fátima Cristina: Como o próprio nome do projeto diz, nossa prioridade são as mulheres e a vida que elas levam nas reservas extrativistas. Iremos trabalhar a saúde preventiva e estimular a participação no controle social, criar mecanismos que possibilitem aproximar o Sistema Único de Saúde (SUS) dos seus verdadeiros usuários. Queremos garantir o direito humano à comunicação a fim de consolidarmos a cidadania do povo da floresta.

Portal ORM: Como é o trabalho realizado com essas mulheres?

Fátima Cristina: No Pará, trabalhamos com 166 comunidades, que estão dentro de 19 reservas extrativistas, sendo que nove são reservas marinhas e dez são reservas florestais. Atualmente, contamos com 25 lideranças responsáveis por coordenar nossas ações nas comunidades. Nossa metodologia é descentralizada e participativa. Temos sempre o cuidado de planejar, avaliar e executar dentro de uma sistemática com base em princípios coletivos. Nosso foco é a comunidade em si; não trabalhamos com setores isolados.

Portal ORM: Este projeto é desenvolvido em outros estados da região amazônica, além do Pará?

Fátima Cristina: Com o apoio do Oi Futuro, estamos desenvolvendo A Bagagem das Mulheres da Floresta no Pará como um projeto piloto, com expectativas de levarmos, posteriormente, para os estados do Amapá, Amazonas e Maranhão.

Portal ORM: De que forma o celular irá auxiliar no seu desenvolvimento?

Fátima Cristina: Será instalada na região uma central telefônica e teremos a nossa disposição 40 aparelhos celulares. Desta forma, iremos facilitar o acesso à comunicação dos moradores das resex’s, dinamizando contatos entre os povos da floresta no processo de mobilização das informações no que tange aos interesses das mulheres da floresta.

Portal ORM: Qual a meta do CNS para o projeto até o final de ano?

Fátima Cristina: Nossa intenção é de que, até o final do ano, 90% das lideranças capacitadas para se tornarem multiplicadoras no repasse de informações sobre prevenção estejam aptas a encarar os desafios quanto ao papel de multiplicadoras junto às comunidades extrativistas de todo o estado do Pará, com grandes perspectivas de abrangência na Amazônia. Elas devem identificar com maior clareza suas necessidades de aprimoramento enquanto multiplicadoras, visando a sustentabilidade da iniciativa por meio de sua continuidade, com interação e integração concreta com o governo local.

Portal ORM: O que vocês acham de programas como o Novos Brasis que incentiva esse tipo de ação?

Fátima Cristina: Programas como o Novos Brasis são os meios pelos quais buscamos os nossos fins: a plenitude da cidadania. Podemos contar com esta parceria de solidariedade que inaugura uma nova proposta de reconhecimento: a de que na floresta há vidas inteligentes se desenvolvendo com a natureza. Este povo tem direitos e, para tanto, luta veementemente e merece ser ouvido.

Fonte: TV Liberal

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